Fraudes eletrônicas: golpes digitais mais comuns e como evitar

As **fraudes eletrônicas** representam uma das maiores ameaças à segurança financeira e patrimonial no ambiente digital. Com a popularização de transações online, PIX e o uso de aplicativos bancários, os criminosos aprimoraram suas técnicas para enganar as vítimas e obter vantagens ilícitas. O **estelionato** praticado por meio eletrônico é um crime grave, com penas que podem chegar a 8 anos de reclusão, e exige atenção redobrada dos usuários e das instituições financeiras.

O que são Fraudes Eletrônicas e o Estelionato Digital

Fraudes eletrônicas são ações criminosas que utilizam meios digitais para induzir a vítima ao erro, fazendo com que ela entregue voluntariamente dinheiro ou informações sensíveis. O crime de **Estelionato** está previsto no **Artigo 171 do Código Penal**, e sua modalidade por meio eletrônico (incluída pela Lei 14.155/2021) é definida como:

"Art. 171. Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento. [...] § 4º A pena aumenta-se de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços) se o crime é praticado mediante a utilização de redes sociais, contatos telefônicos ou envio de correio eletrônico fraudulento, ou por qualquer outro meio fraudulento análogo."

A principal característica é a **vontade viciada** da vítima, que, enganada, realiza a transação ou fornece os dados ao criminoso.

Golpes Digitais Mais Comuns no Brasil

Os criminosos estão em constante evolução, mas alguns golpes se destacam pela frequência e pelo volume de vítimas:

1. Golpe do Falso PIX

O criminoso envia um comprovante de PIX falso para a vítima, alegando ter feito um pagamento, e solicita a entrega de um produto ou serviço. A vítima, confiando no comprovante, libera o item antes de verificar o crédito em sua conta. Outra variação é o envio de um link ou QR Code falso para pagamento.

2. Clonagem de WhatsApp

O criminoso obtém acesso à conta de WhatsApp da vítima (geralmente por engenharia social) e se passa por ela para pedir dinheiro emprestado a contatos, alegando uma emergência. A urgência e a confiança na identidade do contato fazem com que as vítimas realizem transferências rapidamente.

3. Phishing e Smishing

O **Phishing** (e-mail) e o **Smishing** (SMS) consistem no envio de mensagens que simulam ser de bancos, empresas de cartão ou órgãos governamentais, alertando sobre problemas (dívidas, bloqueio de conta) e solicitando que a vítima clique em um link falso para "regularizar" a situação, roubando seus dados de acesso.

4. Golpe da Falsa Central de Atendimento

O criminoso liga para a vítima, identificando-se como funcionário do banco, e informa sobre uma suposta fraude na conta. Sob o pretexto de "cancelar" a transação, ele convence a vítima a instalar um aplicativo de acesso remoto ou a realizar uma transferência (PIX) para uma "conta de segurança".

5. Fraude do Boleto Falso

O criminoso intercepta a comunicação ou cria um boleto falso, alterando o código de barras para que o pagamento seja direcionado para sua conta. Isso é comum em pagamentos de IPTU, IPVA, mensalidades ou compras online.

Como se Proteger de Fraudes Eletrônicas

A prevenção é a melhor defesa contra o estelionato digital. Adotar hábitos de segurança pode reduzir drasticamente o risco de ser vítima:

  • **Desconfie da Urgência:** Golpistas sempre criam um senso de urgência (conta bloqueada, emergência familiar) para que a vítima não pense. Pare, respire e verifique a informação por um canal oficial.
  • **Verifique o Remetente:** Nunca clique em links ou forneça dados em e-mails ou SMS suspeitos. Em caso de dúvida, acesse o site oficial do banco ou empresa digitando o endereço no navegador.
  • **Confirme a Identidade:** Se receber um pedido de dinheiro de um amigo ou familiar pelo WhatsApp, ligue para ele (por telefone, não pelo WhatsApp) para confirmar a identidade e a emergência.
  • **Atenção ao PIX:** Verifique sempre o nome completo e o CPF/CNPJ do destinatário antes de confirmar qualquer transação PIX.
  • **Boleto:** Antes de pagar um boleto, confira se o nome do beneficiário e o CNPJ/CPF no comprovante de pagamento conferem com a empresa que você está pagando.
  • **Segurança do WhatsApp:** Ative a **Verificação em Duas Etapas** no WhatsApp para evitar a clonagem da sua conta.

A Responsabilidade dos Bancos e Instituições Financeiras

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) possui entendimento consolidado (Súmula 479) de que as instituições financeiras respondem objetivamente pelos danos gerados por fortuito interno relativo a fraudes e delitos praticados por terceiros no âmbito de operações bancárias. No entanto, a aplicação dessa regra em casos de PIX e estelionato digital tem gerado debates.

A jurisprudência recente tem responsabilizado os bancos quando há **falha na segurança** ou no **monitoramento de risco**, como a abertura de contas fraudulentas por golpistas ou a falta de bloqueio de transações atípicas. Se o banco não adotou medidas de segurança esperadas (como o bloqueio cautelar do PIX em caso de suspeita), ele pode ser responsabilizado pela falha na prestação do serviço.

Medidas Legais Após a Fraude

Se você foi vítima de uma fraude eletrônica, as seguintes medidas devem ser tomadas imediatamente:

  1. **Comunique o Banco:** Entre em contato imediatamente com seu banco para informar a fraude e solicitar o bloqueio da conta do destinatário do PIX/transferência. O Banco Central exige que os bancos implementem mecanismos de bloqueio cautelar em caso de suspeita.
  2. **Registre Boletim de Ocorrência (B.O.):** Formalize o crime na Polícia Civil, apresentando todos os comprovantes da transação e a narrativa detalhada do golpe.
  3. **Ação Judicial:** Com o B.O. e a negativa do banco em ressarcir o valor, é possível ajuizar uma ação judicial contra a instituição financeira, buscando o ressarcimento do valor perdido e, em alguns casos, indenização por danos morais.

Aviso Legal: Este conteúdo tem finalidade informativa e educativa. Não substitui uma consulta jurídica personalizada. Se você foi vítima de fraude eletrônica, busque orientação jurídica especializada para avaliar as medidas adequadas ao seu caso.

Perguntas Frequentes

Não é sempre. O banco pode ser responsabilizado se for comprovada uma falha na segurança do sistema ou no monitoramento de risco (fortuito interno). Se a vítima agiu com negligência extrema (por exemplo, fornecendo a senha do cartão), a responsabilidade pode ser mitigada ou afastada. A análise jurídica é essencial.
O MED é um procedimento obrigatório que permite aos bancos bloquear e devolver valores em casos de fraude ou falha operacional. Ao comunicar a fraude ao seu banco, ele deve acionar o MED para tentar reaver o dinheiro junto ao banco do golpista.
Registre o B.O. e comunique o banco imediatamente. Se o boleto foi gerado por uma empresa legítima, mas interceptado, a responsabilidade pode recair sobre a empresa que emitiu o boleto ou sobre o banco que o compensou, dependendo da falha de segurança.
A pena é de reclusão de 4 a 8 anos, e multa. Se o crime for praticado mediante a utilização de redes sociais, contatos telefônicos ou envio de correio eletrônico fraudulento, a pena aumenta de 1/3 a 2/3.
A LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) exige que as empresas adotem medidas de segurança para proteger os dados pessoais. Se uma fraude ocorreu devido a um vazamento de dados ou falha de segurança de uma empresa, ela pode ser responsabilizada administrativamente pela ANPD e civilmente pela vítima.

Artigos relacionados: Phishing: como funciona esse golpe | Roubo de identidade online | Nossos serviços

Foi Vítima de Fraude Eletrônica?

Entre em contato conosco para orientação jurídica especializada e recuperação de valores.

Falar com Especialista